quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pequenas Trapaças...


Será que precisamos de alguém que nos mostre um caminho?
De um amigo imaginário? De múltiplas personalidades?
De poderes absolutos? De legiões de fãs?
O que é necessário para ser feliz?
Pequenas trapaças com as quais nos esquecemos da situação humana...
Não sei.
Quem tiver a resposta que guarde para si.

terça-feira, 9 de março de 2010

O Lusitano...



"Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança ainda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais
E, se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado
Que quase é outra cousa; porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias."

quinta-feira, 4 de março de 2010

Molière...Tartufo, IV, 5


Não há nenhum pecado se pecar em silêncio.

Duplo Engajamento

Situação de duas lâminas em contato . Engajar consiste em tomar contato com a lâmina adversária . O duplo engajamento é a sucessão de dois engajamentos ou de duas mudanças de engajamento.

quarta-feira, 3 de março de 2010

William's thoughts...Act I, Scene II


"Signior Hortensio, 'twixt such friends as we
Few words suffice; and therefore, if thou know
One rich enough to be Petruchio's wife,
As wealth is burden of my wooing dance,
Be she as foul as was Florentius' love,
As old as Sibyl, and as curst and shrewd
As Socrates' Xanthippe or a worse,
She moves me not, or not removes, at least,
Affection's edge in me, were she as rough
As are the swelling Adriatic seas:
I come to wive it wealthily in Padua;
If wealthily, then happily in Padua."

terça-feira, 2 de março de 2010

Meanwhile, in the fields...


"Anyway, I keep picturing all these little kids playing some game in this big field of rye and all. Thousands of little kids, and nobody's around — nobody big, I mean — except me. And I'm standing on the edge of some crazy cliff. What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff — I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I'd do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be. I know it's crazy."

segunda-feira, 3 de março de 2008

Álvaro de Campos: Poema em Linha Reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza